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janeiro 25, 2018

Nenhum avião pode dar conta
Da quilometragem que percorro
Quando falo de saudades
De tempos longínquos

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Felipe Silva

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São três pra cá, dois pra lá.

janeiro 18, 2018

Abraço que entra devagarzinho pelo pé do ouvido.
Movimento que faz a brasa quando passa em canto molhado.
Espelho refletindo a alegria de um eterno domingo.

Amargura de dias perdidos dormidos.
Certeza de duvidas frequentes.
O mundo gira, como bailarina.
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Felipe Silva

Nunca, é tarde.

janeiro 6, 2018

Sou grato por todos os textos que li nos olhos de analfabetos, de histórias narradas com a certeza que nenhum doutor nunca nem esbouçou. Zé de Chiquinha, aprendeu ler nas antigas cartilhas de ABC, logo que dominou a leitura, precisou largar os estudos pra trabalhar na lida do mato, mas, era “safado”, levava os papeis que achava pra ler em casa, antes de dormir, na luz do candeeiro. Quando todo mundo dormia, se esgueirava no canto da cozinha e ia ler, sua primeira paixão foram os pedaços de revista que pegava da patroa, aqui acolá apareciam rasgadas e ninguém desconfiava. Depois de uns tempos, começou ver bulas de remédios, foi ai que se interessou pelo ofício da medicina. Aos 40 anos, agora já trabalhava de caseiro, com a mesma patroa de trinta anos atrás. Terminou o colegial, o mesmo que virar doutor. Receitava remédio pra tudo, curou muita gente e nunca parou de ler as tais das bulas. Ajudado por um coronel, conseguiu uma vaga pra ser enfermeiro, foi feliz pra sala de cirurgia, as luzes apagaram, e ele nunca mais acordou.

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Felipe Silva

Final

novembro 14, 2017

Na cadeira da vida
Todos querem tirar dez.
Penduram as vitórias no pescoço,
Escondem as rasuras,
Forjam boletins.

Eu, em minha ignorância,
Me contento em passar de ano
E brincar no recreio.

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Felipe Silva

setembro 28, 2017

Queria saber administrar as vírgulas
Nem lembro mais as regras pra usar
Acho que vírgula é coisa de sentir.
De todos os pontos
É a mais poética.
As vezes dá até saudade.

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Felipe Silva

Lucro

setembro 28, 2017

Dia do recebimento.

Aquele sorvete caro depois de um sushi.

Uma despesa que fará diferença.

A única parte do salário

Que realmente me pertence.

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Felipe Silva

Risco

setembro 26, 2017

Não havia a certeza
De curar a ferida
Já não via mais beleza
Enfeitando minha vida
Comecei a planejar,
As vezes até ensaiar
O que seria a saída.

Parecia uma miragem
Tudo cinza igual cimento
Não me vinha outra imagem
Não havia outro argumento
Quando estava decidido
Fui então surpreendido
Exatamente no momento

Deu vontade de falar
Pra alguém antes de ir
Procurei um lugar
Que pudesse me abrir
Desatei nós, criei laços
Vi os riscos, criei traços
Pra tentar me colorir.

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Felipe Silva