Skip to content

Ah, sumo.

março 17, 2017

Sou assumidamente
Um sumido.
Caminhante.
Que risca o chão
No papel.
Tenho todo direto
De sumir
Assumir
Viver
Onde me cabe
E onde me meto.
.
.
Felipe Silva

elevador

março 17, 2017

Já não me importo com teu jeito. Tua forma de me olhar dos pés a cabeça. Não tenho medo de cara feia. Sei que não morrerei de fome, nem ao menos precisarei de favores teus. És a parte do mundo que nunca terá meio punhado de minha já escassa inveja.
Me olhe, fixe o olhar no reflexo dos meus óculos, e veja quão estranha é imagem que se forma nele. É a paisagem seca formada por teu julgamento. Falho. Não me escondo.

.

.

Felipe Silva

Tempo

dezembro 26, 2016

Enquanto procura-se um culpado
Dezenas de soluções fogem também.
E perde-se tempo.
Tempo é medida de vida
Culpar é uma pequena morte diária.

.

.

Felipe Silva

(entre)

dezembro 26, 2016

Família que fala de outra
família que julga o integrante de outra
família tipicamente igual a minha
família.

Entes que brigam
Traem, julgam.
Interessam-se pelo dinheiro alheio
E rezam o pai nosso de mãos dadas.

Faz uma milha de pensamento
Me vejo fazendo parte
Como apêndice
Inflamando

Feliz Natal!

 

Felipe Silva

Filo

novembro 10, 2016

Se pegar pensando que é um bosta é normal.
É, perfeitamente.
Isso é tão real quanto  se  perceber
Não querer estudar, mesmo precisando
E se sentir culpado, mas não suficiente
Para retornar aos livros.

Não. Parece que não é só você.
Todos tem carne, osso e sangue.
Vontade também é fisiológico.
De tudo.
Não existem humanos.
Existem animais pseudo-humanizados.

Quer dizer, afinal.
De onde vem esse “homem”
Modelo de “humanidade”?

Certo é ser bicho.
Que só se preocupa
Em ser.

.

.

Felipe Silva

Baunilha

novembro 1, 2016
Uma bela mulata pra Caymmi
Vinicius a colocaria estampada
Em seu uísque favorito
Talvez a pele bronzeada e o rebolado
Sejam a chave de abrir corações.
Não sei, aqui ela entrou pela janela
Mais complexa que qualquer descrição.
Foi feita de poesia em curvas e cores.
Não precisa perfume,
Porque acima de tudo é cheiro.
Cheia de cheiro.

.

.

Felipe Silva

Catar

outubro 28, 2016

Moscas, urubus e o bicho de Manuel Bandeira.

Lata
Papelão
Dinheiro
Lixo.

E o mesmo papel.
Sobreviver do que sobra.
Sobra.
Sobra pro pobre.

.

.

Felipe Silva