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Dois Reais

novembro 18, 2011

Hoje, numa loja de móveis usados, vi uma colher empoeirada e bem bonita, por uns minutos fiquei imaginando por onde ela já tinha passado e tentei pensar como se fosse ela. Saiu uma poesia:

Dois reais

De tudo que é comida
Um pouco provei
Durante farras e jantares
Por bandejas andei
Servindo molhos
E cheia de óleo
Pratos banhei

Na mão de crianças
Dancei no chocolate
Hoje espero nesta loja
Um pobre arremate
Escondida num canto escuro
Sobre um balcão frio e duro
Esperando alguém matar minha saudade

De tanta serventia que tive
Hoje não tenho eira nem beira
Tantas mãos me queriam
Hoje não tem uma que queira
Não toco nem num maracujá murcho
Eu, colher de luxo
Comendo poeira.

.

.

Felipe Silva

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